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A FÉ NA PROVIDÊNCIA OU A ESPERANÇA NA SORTE?
Por Administrador
Publicado em 28/06/2026 13:29
Artigos

A FÉ NA PROVIDÊNCIA OU A ESPERANÇA NA SORTE?

Recentemente, durante o programa Crente Inteligente, recebi uma mensagem pelo WhatsApp de um pastor relatando uma situação que havia ocorrido em sua igreja. Um jovem o procurou para perguntar se havia algum problema em participar de um bolão envolvendo os jogos da Copa do Mundo. O pastor respondeu que, à luz dos princípios bíblicos, desaconselhava aquela prática. A reação do rapaz foi imediata: sorriu com certo desdém e respondeu que aquela proibição era uma ideia ultrapassada, "coisa do passado".

Resolvi compartilhar esse relato com os ouvintes e apresentar minha compreensão bíblica sobre o assunto. Enquanto ainda desenvolvia o raciocínio no ar, começaram a chegar diversas mensagens pelo WhatsApp da Rádio. Alguns ouvintes diziam que nunca haviam pensado sobre a questão por esse ângulo. Outros perguntavam se o mesmo princípio se aplicava às rifas realizadas por igrejas, aos bingos beneficentes, às loterias e até mesmo aos sorteios organizados para arrecadar recursos para congressos e festividades.

Naquele instante percebi que a dúvida era muito maior do que um simples bolão da Copa do Mundo. Havia muitos cristãos sinceros procurando uma resposta que fosse além do argumento frequentemente utilizado de que "é pecado porque é jogo". Foi justamente essa repercussão espontânea que me motivou a ampliar a reflexão neste artigo.

Antes de prosseguir, faço questão de registrar meu respeito pelos irmãos que promovem rifas para ajudar a obra de Deus. Conheço inúmeras igrejas que organizam essas iniciativas com absoluta sinceridade. O objetivo costuma ser levantar recursos para construir um templo, custear um congresso, realizar um retiro espiritual, investir em missões ou atender alguma necessidade da igreja. Não questiono a intenção dessas pessoas. Pelo contrário, reconheço seu amor pela obra e seu desejo de colaborar.

Entretanto, a história bíblica nos ensina que boas intenções nem sempre tornam um método correto. Em diversas ocasiões, homens sinceros erraram não por desejarem fazer o mal, mas porque escolheram caminhos diferentes daqueles estabelecidos por Deus. Por isso, a pergunta mais importante não é se a rifa ajuda a igreja ou se o bolão arrecada recursos. A pergunta correta é outra: esse método está em harmonia com os princípios das Escrituras?

Pessoalmente, acredito que o argumento mais consistente não seja afirmar simplesmente que "é pecado porque é jogo". Embora essa seja a convicção de muitos cristãos, a Bíblia não traz um mandamento dizendo literalmente: "Não participe de uma loteria", "Não faça um bolão" ou "Não promova uma rifa". A ética cristã não é construída apenas sobre proibições expressas. Ela é edificada, sobretudo, sobre princípios.

E é justamente um desses princípios que considero decisivo.

A loteria, o bolão, a rifa e qualquer modalidade semelhante ensinam o coração a esperar da sorte aquilo que Deus determinou que fosse buscado pelo trabalho honesto, pela prudência, pela fidelidade e pela Sua providência.

Essa diferença talvez pareça pequena, mas é profundamente espiritual.

Ao longo de toda a Bíblia, Deus nunca prometeu prosperar Seus filhos por meio do acaso. Sempre que as Escrituras tratam da prosperidade, ela aparece associada ao trabalho diligente, à boa administração dos recursos, à fidelidade e à bênção do Senhor.

Salomão escreveu: "A riqueza obtida às pressas diminuirá, mas quem a ajunta pouco a pouco terá aumento" (Provérbios 13:11).

O apóstolo Paulo afirmou: "Se alguém não quer trabalhar, também não coma" (2 Tessalonicenses 3:10).

E o mesmo livro de Provérbios declara: "O homem fiel será cumulado de bênçãos, mas o que se apressa a enriquecer não ficará impune" (Provérbios 28:20).

Existe um padrão muito claro nas Escrituras.

Deus abençoa o trabalho.

Deus honra a diligência.

Deus recompensa a fidelidade.

Em nenhum momento Ele ensina Seu povo a depositar esperança na sorte.

É exatamente aqui que reside o problema.

Quem participa de um bolão, compra um bilhete de loteria ou adquire uma rifa não está apenas realizando uma transação financeira. Ainda que inconscientemente, está alimentando a expectativa de receber muito sem produzir proporcionalmente, esperando que o acaso lhe conceda aquilo que Deus normalmente entrega através da perseverança e do trabalho.

Talvez alguém diga: "Mas a rifa da igreja é diferente. O objetivo é ajudar a obra."

Reconheço a diferença da finalidade, mas o princípio continua sendo o mesmo.

Toda rifa depende da perda de muitos para que um seja beneficiado. O prêmio existe porque dezenas ou centenas de pessoas aceitaram abrir mão do valor investido para que apenas uma recebesse algo de valor superior.

Isso nos leva a outra reflexão.

O Reino de Deus sempre foi sustentado pela generosidade voluntária do Seu povo, nunca pela expectativa de um prêmio.

Quando lemos o livro de Atos e as cartas apostólicas, encontramos irmãos ofertando por amor, repartindo seus bens espontaneamente e contribuindo conforme suas possibilidades. Não encontramos a Igreja estimulando ofertas mediante sorteios ou recompensas.

A diferença pode parecer sutil, mas é enorme.

Na oferta cristã, a motivação é a gratidão.

Na rifa, inevitavelmente existe o incentivo da possibilidade de ganhar.

São princípios completamente diferentes.

Existe ainda outro aspecto que merece atenção.

O jogo de azar alimenta um sentimento contra o qual a Bíblia faz constantes advertências: a cobiça.

Jesus disse: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza" (Lucas 12:15).

O autor da carta aos Hebreus escreveu: "Seja a vossa vida sem avareza, contentando-vos com as coisas que tendes" (Hebreus 13:5).

A cobiça raramente se apresenta de forma escancarada. Ela costuma vestir roupas respeitáveis. Muitas vezes surge apenas como o desejo de conseguir uma vantagem rápida, uma oportunidade imperdível ou um ganho fácil. Aos poucos, o coração passa a confiar mais nas possibilidades do acaso do que na fidelidade da providência divina.

Vivemos numa época em que milhões de pessoas fazem filas diante das lotéricas sempre que os prêmios aumentam. Durante alguns dias, deixam de sonhar com o fruto do trabalho e passam a sonhar com um golpe de sorte.

Mas o cristão foi chamado para viver de outra maneira.

Nossa esperança não está na sorte.

Nossa esperança está na providência de Deus.

Por isso, acredito que essa reflexão não diz respeito apenas às apostas esportivas, às rifas ou às loterias. Ela fala sobre onde depositamos nossa confiança.

O discípulo de Cristo não constrói sua vida esperando acertar um número.

Ele constrói sua vida confiando que Deus continuará sustentando aqueles que andam em Seus caminhos.

E existe uma diferença enorme entre viver pela esperança da sorte e viver pela fé na providência do Senhor.

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